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CENTENÁRIO LÚCIA CASASANTA
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LÚCIA CASASANTA – O CENTENÁRIO DA EDUCADORA

A Associação de Professores Públicos de Minas Gerais comemora o centenário da educadora Lúcia Casasanta, divulgando sua importante colaboração no desenvolvimento da Educação em Minas Gerais. A ênfase dada ao ensino da leitura e escrita, aliando fundamentação teórica à prática pedagógica, fez de Lúcia um exemplo a todos os professores, o caminho para o sucesso no ensino.
Nas mãos de Lúcia Casasanta mineiros revelaram suas mais belas histórias. Revele-se também, conhecendo sua trajetória no ano de seu centenário.


TRIBUTO A LÚCIA CASASANTA
João Batista Araujo e Oliveira
Presidente, Instituto Alfa e Beto
www.alfaebeto.org.br

As ciências – inclusive as ciências da educação – evoluem de duas formas: subindo nos ombros dos gigantes ou pisando nos caminhos que eles trilharam. Geralmente a evolução se dá pelos que sobem nos ombros e vêem mais longe; as revoluções, pelos que rompem com os paradigmas e criam novos caminhos. Na década de 50, Lúcia Casasanta rompeu com os paradigmas então dominantes do ensino da “Língua Pátria” e introduziu o ideário da Escola Nova e, no seu bojo, os métodos globais de alfabetização, com a cartilha “Os três porquinhos”.

Lá se vão setenta anos, e a ciência evoluiu. De modo particular, na década de 90 – a chamada década do cérebro – o conhecimento sobre como aprendemos a ler e escrever evoluiu de forma significativa. Foram notáveis os avanços da Ciência Cognitiva da Leitura. E, com esses avanços, hoje dispomos de um conhecimento bastante sólido a respeito do que melhor funciona em alfabetização. Temos um novo paradigma. Dois marcos importantes – o livro de Marilyn Adams, em 1990, e o National Reading Report, publicado no ano 2000 - orientaram as reformas dos programas e métodos de alfabetização da última década na maioria dos países do mundo que seguem o Sistema Alfabético de Escrita.

Essas reformas se baseiam nas mesmas preocupações e motivações que inspiraram o trabalho de Lúcia Casasanta: como melhor promover a alfabetização, como integrar os objetivos de ensinar a ler e ensinar a compreender. Diferentemente da década de 50, quando praticamente não havia pesquisa científica empírica sobre o tema, as reformas do final do século possuem uma base científica muito mais sólida. As recomendações do National Reading Panel, por exemplo, se basearam numa análise e triagem de mais de 100 mil artigos científicos. Daí que essas recomendações são muito mais robustas.

Não é outra a razão pela qual todos os governos de todos os países da OCDE voltaram a ressaltar a especificidade da alfabetização e a importância dos métodos fônicos, da mesma forma que insistem – com maior veemência ainda que no tempo da Escola Nova - na necessidade de familiarizar as crianças com livros e leitura desde os primeiros anos de vida. Aprender a ler e ler para compreender são dois lados de uma mesma moeda: o domínio da linguagem. Mas são dois lados independentes e complementares, cada um exigindo estratégias, materiais e métodos próprios de ensino.

Os cientistas – da mesma maneira que todos os povos – cultuam os seus antepassados. Mas a ciência evolui, e evolui na medida em que evoluem os seus métodos. Daí porque a melhor forma de prestar homenagem a um cientista não é ficar repetindo o que ele disse ou descobriu. A melhor homenagem consiste em olhar para onde ele apontou e, inspirados no mestre, desbravar novos caminhos.