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O ano, 1931, era de expectativas e de transformações, provocadas pela Revolução de 30. Em Minas Gerais, a Educação, cujo esplendor se dera nos anos 20, vivia sua pior fase, com o fechamento de dezenas de escolas pelo Estado.

Foi nesse contexto de transformações e de crise que um grupo de professoras fundou a 27 de agosto de 1931 a Associação das Professoras Primárias de Minas Gerais (APPMG), a atual Associação de Professores Públicos de Minas Gerais.

Ao completar 70 anos, com uma história de lutas e de vitórias que engrandece o magistério mineiro, a APPMG anuncia: vai continuar a sua caminhada em defesa dos profissionais da Educação, da Educação de qualidade e da cidadania.

Na APPMG, todos sabem: a primeira e grande vitória da entidade foi a instituição do voto feminino em 1932, reivindicação levantada ainda em 1931.Houve outras vitórias, como a conquista da aposentadoria das professoras aos 25 anos de trabalho. A campanha, iniciada em 1931 e realizada nacionalmente, com entidades de outros estados, foi vitoriosa em 1933. (Em 1967, governo do marechal Costa e Silva, esse direito foi retirado e reconquistado depois de mobilizações lideradas pela APPMG em 1980 e em 1981).

Outras mobilizações: em 1931, contra a redução dos salários do magistério, e, em 1937, pelo Plano de Carreira do Magistério.


A regulamentação

A década de 40 também viu muitas lutas da APPMG. A primeira delas foi pela regulamentação da profissão. Sem direitos e com muitos deveres, os professores, tidos como missionários, exigiam ser considerados como profissionais. Para isso, reivindicavam o reconhecimento legal.

Em 1945, os professores publicaram manifesto contra a bomba atômica, lançada no Japão, pelos Estados Unidos, em agosto daquele ano. E, em 1946, integraram-se à luta pela Assembléia Constituinte.

Foram muitas as reivindicações nos anos 50. A começar pela regularização da situação dos estagiários, pelo Quadro de Carreira e por garantia de salário mínimo para o professor.

De 1951 a 1954, a APPMG engajou-se na Campanha pela Paz Mundial, contra a bomba atômica e contra a carestia de vida.

Houve, também, o "Movimento de Desagrado", realizado de agosto a novembro de 1954. Mais de quatro mil professores concentraram-se às portas do Palácio da Liberdade, exigindo salário mínimo. Descobriram o caminho da união, com as reivindicações salariais sendo feitas em amplos movimentos estaduais.

A grande vitória, em 1956: os professores mineiros conquistaram o maior aumento salarial do País. As reivindicações passaram a ser conquistadas em greves estaduais, a primeira delas em 1959. Liderada pela APPMG, essa greve, que teve a participação dos funcionários públicos, foi em defesa da carreira e de aumento salarial.

Arrocho e protestos

Tempos de arrocho, os anos 60 foram muito difíceis para o magistério mineiro. A começar pelo atraso de pagamento, que chegou a ser de quatro meses em Belo Horizonte e de um ano no interior.

Apesar da proibição do regime militar, os professores, liderados por sócios da APPMG, promoveram em 1967 várias manifestações contra o atraso. Essas manifestações incluíram passeatas, vigílias e protestos nas ruas e em frente ao Palácio da Liberdade.

Os anos 70 encontraram a APPMG liderando a luta contra o primeiro Estatuto do Magistério, que era prejudicial ao professor. Em 1977, a vitória: o Estatuto foi substituído por outro com melhorias, como o acesso de carreira e a progressão horizontal.

Melhores salários e efetivação dos professores contratados há longo tempo foram os objetivos da greve deflagrada em 1979, um movimento nascido nas bases e por elas conduzido.

Anos de renovação dos quadros da APPMG, os 80 marcaram o início da reestruturação da entidade e a luta contra o enquadramento do magistério no Quadro Permanente, forma adotada pelo governo para subtrair conquistas da categoria. Com a reforma do seu Estatuto, em 1981, a Associação das Professoras Primárias passou a denominar-se Associação de Professores Públicos de Minas Gerais.

Os anos 80 foram também o período das mobilizações pelas Diretas Já, conquistadas nas ruas pelo povo brasileiro.
Algumas das vitórias nesse período: reconquista da aposentadoria aos 25 anos de serviço, reconquista do direito sobre a produtividade, do direito à remuneração pelo biênio, do direito ao laudo médico, da abertura de concursos públicos classificatórios e da possibilidade da progressão horizontal.

Houve outras conquistas: o 13º salário, o reajuste semestral, a redução da carga horária, o piso salarial, a indexação de salário e a realização do Fórum em Defesa da Escola Pública.

Qualidade

Ações por melhores salários, por melhores condições no trabalho do professor e por uma educação pública para todos e de qualidade assinalaram as atividades da APPMG nos anos 90.

Houve mais: assembléias, divulgação de documentos e encontros com autoridades para que o Estado adotasse um Plano de Carreira que fizesse justiça aos profissionais da Educação.

Foram promovidos vários eventos dentro do grande Projeto de Valorização do Magistério Mineiro, lançado em 1999 em todo o Estado com o objetivo de abrir um espaço de debate, de interação e de participação dos profissionais e da sociedade em defesa da Educação pública de qualidade.

Um desses eventos foi a Caminhada em Defesa da Ecologia e da Educação, realizada em 1999 em Belo Horizonte com a participação de milhares de estudantes, professores e pais de alunos.

No ano 2000, a APPMG prosseguiu em sua luta em defesa do magistério, com ações por melhores salários, melhores condições de trabalho e da Educação de qualidade.

A entidade conseguiu na Justiça a suspensão, pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado (Ipsemg), do desconto de 8% na pensão de cerca de três mil professores a ela filiados. A decisão foi confirmada pelo Tribunal de Justiça.

Continuou a luta pelo fim do sistema de contratações e pela realização de concursos públicos. Além disso, promoveu o "Destaque em Educação", para valorização de professores da Capital e do interior e reconhecimento de seutrabalho em prol da Educação de qualidade.


a histÓRIA DA APPMG